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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, outubro 28, 2008



VIGÉSIMOS SEGUNDOS ALUMBRAMENTOS


Gracita foi, portanto, acossada sem piedade, pois a fizeram acreditar nessa historinha sem o mínimo de fundamento, valendo-se daí sua condição de adolescente ainda supostamente tola para assuntos de tal natureza. Inclusive sendo conduzida com facilidade e perícia para este fim. E o intuito, então, foi conseguido e a grande intriga feita, desmanchando-se um namoro que poderia ser promissor, embora soubesse, lógico, que éramos muito jovens para assim pensarmos.

Mas, nós estávamos querendo aproveitar um momento (e que belo momento o da juventude!) de nossas iniciais existências. Infelizmente ele foi abalroado sem chance de uma preliminar contestação. Arre! Culpa minha? Dela? Não, acho que foi um delito do destino, se assim posso dizer.


Quanto a Gracita e a partir desse episódio a vi umas poucas vezes, porém era evidente que desaparecera de minha vida, restando somente e com saudade as sombras de um passado. Um passado que ficará gravado também como o de Alba, aquela que foi minha primeira experiência no aspecto amoroso, um lado difícil e sem dúvida de se entender do ser humano.

(Soube tempos depois que Gracita aparentava belas feições, conforme tinha previsto na imaginação. Casara, tivera filhos e seguira evidentemente sua sorte ou azar. Atualmente de nenhuma notícia sabia, talvez já estivesse no curso declinável da vida).

Seriam as reviravoltas e retomadas ou não de uma época obsoleta e perdida. Por conseguinte, nada pude fazer para abafar os tristonhos acontecimentos e tudo despencou eficaz como o autor ou autora da trapaça desejou que fosse. Venceram a espinhosa batalha.

E atravessando anos seguintes pela rua que Gracita morara observei mostrengos sendo erguidos, prédios gigantescos que transformavam e esfumaçavam a nova cidade. Tudo ia se perdendo de encontro ao porvir, inclusive uma imensa avenida tomou conta do outrora e estreito lugar, talvez até fazendo com que minha segunda ex-namorada sumisse entre as coisas bonitas que fizeram parte do trecho antes percorrido com amor e carinho. Enfim, desvaneceu-se outra ilusão e mais uma decepção.


Lembro aqui de um instante lúdico no nosso relacionamento: quando uma vez estávamos a passear fomos nos esconder, numa distração de sua acompanhante, atrás de uma pilastra de um velho edifício abandonado. Parecíamos duas crianças a brincar de esconde-esconde. Ali, numa demonstração de afeto, consegui segurá-la e satisfazer um pouco do ardor juvenil que nos instigava.

Desci suas vestes e a vi ligeiramente nua, seu corpo moreno a tremer de medo e inquietação. Uma visão que me sacudiu, apesar da penumbra do local, ainda mais ao ângulo que me destinava. Foi um curto momento de prazer em que cheguei a boliná-la num frêmito de quase um orgasmo.

Saíamos depois desconfiados como se tivéssemos cometido algum ato vergonhoso. Para a época era um verdadeiro escândalo você tentar algo dessa natureza. E ela depois afastou-se encobrindo seu suave rosto e eu a me ajeitar rapidamente com receio de que algum vulto aparecesse nas sombras daquele passado.



ESPAÇO LIVRE


TEMPO

No surgir de uma nova aurora
eu te conheci menina.

E no cair de um velho crepúsculo
eu te fiz mulher.

Ao acaso e ocaso de nossas vidas.



Bené Chaves



terça-feira, outubro 21, 2008

DÉCIMOS OITAVOS ALUMBRAMENTOS
Gupiara continuava crescendo a passos largos, enquanto a maioria de sua população não crescia a passos curtos. A distância entre elas avolumava-se com uma maior intensidade, visto que os mandatários acercavam-se da carência e ignorância de seu povo investindo mais em obras de interesses duvidosos (como já denunciamos anteriormente aqui), deixando os habitantes pobres em segundo ou terceiro planos e na sua já costumeira amargura.

Era visível e notório tal procedimento, sobretudo quando indiretamente planejavam vultuosas e vultosas arteirices. Mas, mesmo sabendo-se da impostura que era peculiar nestes casos, nada se podia fazer, pois tudo tinha seu lado entremostrado e depois projetado com ardilosa perspicácia. Ardume no fiofó dos outros parece refrescamento, não? Sim, sim, principalmente quando se envolvem singularidades. Ou, então, excrescências. O antegozo ou antegosto de atos e fatos...
Na adolescência a gente incha e se enche de prazer, querendo a todo instante explodir junto à mulher amada. É um momento delicioso em que você é despertado por um estímulo causado num órgão receptor e de imediato levado ao sistema nervoso central. Troços que chegam, assim, de supetão. São expectativas, fervências. Mudanças psicológicas e corporais.

E quando se quer algo impróprio tudo se faz para adquiri-lo, porque certamente é mais gostoso. O proibitivo é desejado, uma proeza de quem o consegue. Também não deixa de ser um risco, porquanto você fica à mercê de ser descoberto a qualquer momento. Tendo-se ponderação os acontecimentos fluem com melhor tranqüilidade e correm assoberbados.
No caso em questão, isto é, da audácia e conseqüente dúvida acerca de comentários sobre os meus anotados e intrigados versos, fiquei com um pouco de receio e esperei uma decisão de minha namorada. (Ah, que bela ela estava naquela sua aparente ingenuidade!). Tinha quase certeza de que tudo não passava mesmo de mexericos, entrecortados com palavras ditas e desditas.

Pude estimar, com clareza, todos os falatórios. E deduzi que a razão estava acima da aclamação, porém, no mesmo nível da aclaração. Iria gracitar com minha Gracita e ninguém a tiraria de mim, a não ser ela mesma. Fui e vim, enfrentei-a sem medo, disposto e resoluto.
Portanto, bati à sua casa e com o coração disparado (a taquicardia parecia levar-me ao paroxismo) vi que tudo não passou de intrigas, uma injúria de que estava sendo vítima, creio que com a finalidade de abalar nosso recém, mas invejoso relacionamento. Disse-me que tinha gostado do poema e entendia a situação vexatória que passei. Fiquei aliviado, ufa!, além dos batimentos cardíacos terem se normalizados.
São, parece, sei lá, invencionices da vida mesmo. Entendo o quanto você fez tudo com paixão e sinceridade. E ela completou dizendo que eram fantasias de nossas existências juvenis. O certo é que fiquei boquiaberto com o que Gracita dizia, dando-me a entender, com suas palavras, certa semelhança de uma mulher quase madura, experimentada, precoce. Assustei-me, um pouco, com seu relato e fiquei mais surpreso quando a mesma acariciou meu rosto demonstrando talvez gratidão.
ESPAÇO LIVRE

O PODER DA POLÍTICA...


- Falando do ponto de vista político, vamos ao encontro do pensador e filósofo Emmanuel Mounier(1905/1950), quando ele alega que "o poder é por essência corruptor e opressivo". E segundo o mesmo, que a verdadeira democracia é "a busca de uma forma de governo que se articule com a espontaneidade das massas, a fim de garantir a participação dos sujeitos na ordem objetiva do poder".
Portanto, o que dizer de países onde milhares de pessoas vivem morrendo de fome, crianças e velhos abandonados, banidos, dormindo em praças públicas, debaixo de pontes e não tendo um mínimo para sobreviver? Será isso uma democracia?
Aliás, quem assistiu ao filme Quando a vida é cruel, de Jack Garfein, realizado em 1961, pôde observar a outra face de países que se dizem democráticos, aqui mais precisamente focalizando o outro lado da sociedade americana, isto é, o povo miserável de Nova York.
Pena que tal fita não deva mais existir, acho que a queimaram e jogaram suas cinzas em algum lugar ermo.






terça-feira, outubro 14, 2008



Imagem de Pascal Renoux DÉCIMOS SEXTOS ALUMBRAMENTOS


É certo, então, que Gracita (era como eu a chamava) despertou em mim uma atenção logo de início. Fiquei entusiasmado vendo tão doce menina ao meu lado quase todos os dias, ou melhor, quase todas as noites. Poderia muito bem está exagerando e tecendo comentários alheios à verdade, pois não posso provar o que estou dizendo, mormente quando tudo não passa de palavras escritas. Inclusive porque minha imagem adolescente era essa. Eu via as coisas na plenitude daquele estágio jovem, talvez desapercebendo o que viesse a ser de verdade. Para mim era outro momento sublime que teria de aproveitá-lo na sua essência. Contudo, tenho absoluta convicção de que os leitores acreditarão no que estou a dizer. Visualizarão os detalhes descritos, com certeza, ou construirão um retrato falado. Melhor dizendo: escrevinhado.

Porém quem conheceu, na época, a pessoa a que me refiro, lógico que me dará razão. Só que seria impossível (e nada também que pudesse voltar àquele período) um contato direto, claro, não interessando a ninguém, pois tal garota só deve existir, no presente (com sua beleza em evidência) através de fotografias. E eu as perdi, tanto uma como a outra, ao longo de minha existência. O que passou, infelizmente, são fatos irreversíveis. Ficam apenas a descrição, as sombras e réstias de uma época finda. Uma época de saudosa memória, daquela menina de pele morena e suave, de rosto deslumbrante, onde seus olhos desassossegados me abasteciam de prazer.

Não gosto nem de pensar ou descrever o que o tempo destrói com seus passos implacáveis. É duro você ter de presenciar o desgaste em doses meio homeopáticas de um bom período vivido na sua juventude.

E a minha Gracita (que intimidade já, hein?) foi alvo, no medrar de uma paixão, de alguns versos que elaborei. Um canto em que exaltei seu encanto, compartilhando, averbando e avivando tal união. Eis o que fiz, no arrebatamento da oportunidade e, lógico, da idade:

Mar /ia, na melancolia
enigma, agonia.
Na vida...
Teu nome emite o quê?
Impulso, pulso, depressão, pressão.
É um nome singelo
e sem dúvida belo.
Teu corpo é ternura, carinho,
desejo e tesão.
Sexamor ou desamor?
Palavra mulher... Símbolo.
Invenção e magia.
Sofreguidão ou comunhão?
Teus olhos me iluminam
de sexo e ação.
Ah, quanta inquietação!
Mar /ia, Maria:tristeza, alegria.
Quão meigo encanto e
devastador imanto!

Pareceu-me atrevimento tal texto para uma menina-moça, inclusive por estarmos iniciando um namoro. E principalmente naquela fase adolescente. Mas, eu nem sabia mesmo o que fizesse na minha imaturidade. E o poema saiu assim, talvez com uma linhagem própria da fase que vivia.


ESPAÇO LIVRE

ARDOR

Teus lábios têm o sabor e
o prazer de um orgasmo.

De um infligir, de perpétuo
gozo e oralidade.

Bené Chaves




terça-feira, outubro 07, 2008


DÉCIMOS QUINTOS ALUMBRAMENTOS


E então, da melhor maneira possível, no começo, meio às escondidas, enfrentei e pus em jogo minha nova afeição adolescente. Encontrava-me no apogeu, acho que com 17 ou 18 anos, e sedento de carícias e outras coisas, querendo vivenciar o momento como se fosse um longo prazer. Embora soubesse que dali poderia sair apenas mais uma ilusão.

Longe, contudo, de meu primo, que deve ter se entendido ou não com Mirtô. (Soube depois que ele acabara seu namoro e fora estudar fora da cidade, esperneando-se para não fazê-lo, já que ficaria longe de tudo e logicamente de suas almejadas conquistas. Na certa deve ter feito alguma estripulia ou não quisesse estudar com afinco. E a pobre da Mirtô ficava na espera de um possível e breve retorno). Pareceu-nos que ela esperaria uma decisão dele, mesmo sabendo de sua inesperada ida para outra cidade.


Eram as facetas e piruetas da vida, passadas, presentes, repetidas e suplicadas, pois tudo ia e vinha, acabava e depois retornava, esparramava-se e logo a seguir amasiava-se, tudo discreto ou leviano e novidadeiro. Seriam os aspectos e características das possibilidades existenciais, dos redemoinhos e dúvidas, incoerências ou harmonias.

Dessa colateralidade ou retilinidade do estar ou não, de um inseparável e depois afastamento gradativo (por que não dizer súbito?) de uma convivência. Seriam, enfim, as ausências sentidas e logo em seguida evidenciadas de um cessar de tudo, que seria a própria morte.


Portanto, minha nova e bela pretendente chamava-se Maria das Graças, uma gracinha de pessoa, no auge de seus 13 ou 14 aninhos. Novamente uma idade crucial para os meus relacionamentos. Mas, acredito que tenha sido apenas uma coincidência, sei não...

E, dela, a garota, ah!, o que falar? Sei que estava ainda em formação, os peitinhos crescendo vivificantes e apressados e o corpo delineando-se na pele morena e já viçosa. Sua face, bonita e detalhada, afeiçoava-se no aspecto abrangente.

Poder-se-ia dizer que aquela cútis trigueira moldava-se e perfilava-se com serenidade, oferecendo, desde já, um belo formato para o conjunto limitado. Seria, sem pestanejar, com precisão e certeza, uma formosura de mulher.


Pois é, estava diante de mim uma garota em crescimento, uma tessitura, imaginava, inigualável. Dali em diante, a esplêndida menina-moça em questão passaria pelas diversas fases da vida. Poderia se encantar ou se decepcionar, sentir poucas alegrias e muitas tristezas. Ou vice-versa.

Eram os encantamentos e desencantamentos que viriam de ano a ano. E depois ela estaria adulta e desassombrada para os transtornos e também adornos de uma existência. Quem não se apaixonaria?


ESPAÇO LIVRE

FILOSOFANDO... Em tempos de eleição...

O filósofo Jean-Jacques Rousseau, nas suas experiências na república calvinista de Genebra, chegou a uma fundamental conclusão de que "quando um povo é 'representado' por deputados, ele se torna alienado de sua própria unidade coletiva e desse modo deixa de ser um povo".
Olhe aí congressistas do mundo inteiro! O que dizer de tão sábia e inteligente afirmação? O célebre homem sabia das coisas. O povo que se cuide, o povo que se cuide...