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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
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a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, dezembro 23, 2008

O POEMA DE PAINHÔ Naquela noite a lua tava cheinha cheinha e as estrelas iluminavam o céu. Pareciam adivinhar alguma surpresa de meu pai. Deitado na rede ele começou a olhar o infinito, aquela vastidão sem fim. Disse que iria declamar um poema elaborado dias anteriores e que dera o nome de Decassílabos.
Então começou, minha mãe com os ouvidos atentos aos seus ditames:
Amo o fulgor das loiras madrugadas
Ou o reflorir da aurora rossicler
Amo o viço estuante da floresta
E a sedução de um riso de mulher
Amo o fragor da luta audaz e forte
Que dá glória na vida ao humano ser
Mas repilo o perjúrio / fingimento
Porque amo somente a quem me quer.
Amo a saudade imensa do sertão
Quando o inverno faz tudo renascer
Relembro a dor daqueles que partiram
E à terra mãe jamais hão de rever
Amo o sofrer da noiva desterrada
Que deixa o coração com o bem quer
Mas repilo o perjúrio / fingimento
Porque amo somente a quem me quer.
Amo do amor as sensações ardentes
Que em vibrações nos fazem estremecer
Tornando os corações todos frementes
Na ânsia incoercível do prazer
Amo a beleza da afeição sincera
Que nos protege e ampara no sofrer
Mas repilo o perjúrio / fingimento
Porque amo somente a quem me quer.
Amo a Ciência, amo a Filosofia
Focos de luz do mundo do saber
Formas divinas de estender ao homem
O que Deus reservou do Seu poder
Amo a harmonia cósmica dos Mundos
E os sentimentos místicos profundos
Que as relações com Deus dão a entender
Amo a carícia lírica do vento
Mas repilo o perjúrio / fingimento
Porque amo somente a quem me quer.
Acho que Mainhô ficou mais cuidadosa nas duas últimas estrofes, esperando, claro, retribuir, sem falsidade, o amor de seu marido. E depois que todos ficaram atentos, inclusive a bonita lua que já estava quase encostada no telhado da casa, parece ter havido um avivamento geral também das estrelas que clarearam o firmamento de um azul celeste. Tia Chica, de tão admirada que ficou, quase deixava queimar a janta daquela noite.
Bené Chaves


por benechaves às 21:32