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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, setembro 02, 2008

SEXTOS ALUMBRAMENTOS Numa fase intermediária de minha adolescência, aí em torno dos treze aos dezesseis anos, comecei uma espécie de informação e conhecimento do sexo em si. Claro que nossa mente fervilhava de uma curiosidade sem-par. Então, andava junto com amigos da época nas chamadas zonas da cidade, que eram os cabarés do período, locais onde se podiam visitar as putas e se deliciar naquele prazer momentâneo. Ou uma notável indiscrição em conhecer as duas facetas, tanto as mulheres de vida mundana, como também os lugares chulos onde se empenhavam nas suas labutas diárias.

Elas eram tratadas como putas mesmo, visto que somente depois melhoraram a nomenclatura e foram reconhecidas como prostitutas, o que na prática não mudava em nada. Pois é, as mulheres de vida difícil, que impropriamente seriam apelidadas de vida fácil, eram obrigadas a vender o corpo em troca de uma sobrevivência nada exemplar. E a gente, sem querer, contribuía para que o problema se agravasse, porque só pensava nos impulsos espontâneos da idade e na vontade de apreender e aprender os primeiros passos púberes do sexo.

Nesse ínterim, Gupiara queria fazer-se desigual, mas ia crescendo um tantinho aqui e outro acolá. Sempre ajudada de uma habilidade maliciosa neste lugar e também naquele outro. Lógico que com as mesmas pessoas começando a mandar, tanto perto como também ali distante, num total predomínio de uma facção ou grupo. Era, pois, uma perfeita engrenagem que dariam à sorte ou azar (que fado, que fado...) da cidade. E, evidentemente, ao futuro daqueles indivíduos e de quantos desejassem seguir suas pegadas. Assim caminhava Gupiara... Pra onde, em boa ou má direção, não interessava. Sabia-se que iria e seria gostosa, apetecível. Para os que quisessem devorá-la e degustá-la com gulosa fome.

Mas, com o passar do tempo, me preocupava mais e mais aquela sina ajudada e muito pela corruptela insidiosa e mudança de feições. Inclusive, desinclinada (ou inclinada?) para esquivos e sabidos arroubos delituosos. Apre! Irra!... E, entre uma coisa e outra, fui deixando de lado minha disposição para as bisbilhotices, gozos ou prazeres curiosos e desejando, sobretudo, me apegar também às garotas virgens que certamente surgiriam.

Portanto, prioridade número um: meninas. Número dois: moças. E número três: donzelas. Quer dizer: todas as precedências tinham um único objetivo: mulheres. Foi daí que vim a conhecer Alba, ela que seria a primeira menina-moça com quem tivera um contato mais íntimo, talvez até sonhos de olhos abertos (ou fechados), desses que nos levam às fronteiras de um êxtase pleno e absoluto.

ESPAÇO LIVRE

DESEJO CONTIDO

Saudades de não vê-la
de não acariciá-la, de não tê-la.
Saudades de tua presença
sempre ausente.
Dos raros contatos verbais
mas também irreais.
Das prosas sem um tato
um aconchego, algum ato.
Saudades de não saber perdê-la
em um redemoinho de emoções.
E nem sequer poder contê-la
nesta vida de súbitas tentações.

Saudades de morrer sem vivê-la!


Bené Chaves

por benechaves às 18:39