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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, setembro 16, 2008


DÚVIDAS...DÚVIDAS...

Talvez tenha sido meio difícil encarar Alba dias depois, não sabia ao certo o que tinha acontecido. Encabulei-me e o coração disparava ao vê-la. Meu primo ficou desconfiado e pensou logo que eu tinha papado, ih!, a pobrezinha. Não era nada daquilo que estavam pensando. Apenas ainda flutuava e delirava diante do ocorrido. E numa excitação ilimitável. Ou seria?

Mas, a ilação fora decerto apressada e maldizente. Um labéu na reputação da própria. Ela, coitada, talvez não soubesse de nada, podia ser a mais inocente das criaturas. Bem que poderia me ter desejado naquela noite mágica, porém, pelo que se depreende, tudo não passou mesmo de uma fantasia sobre seu belo corpo. Aliás, uma gostosa e efêmera fantasia.
Devo ter imaginado todos os acontecimentos e repassado depois a duvidosa verdade? Quem não quereria, contudo, que eles fossem realizáveis? Eu, na minha quase junção com a adolescência, torcia o bastante para efetuar qualquer relato inimaginável. Coisa de menino tolo, malsinações de uma idade febricitante. Crendeiro?

Que teria sido uma delícia, ah!, ninguém poderia dizer o contrário. Mas, também, um tripúdio para quem o dissesse. E fiquei sem saber, ao certo, se o deslumbrante encontro sob as luzes tênues entre quatro paredes tivesse tido um cunho de ficção ou realidade. Acho que a ilusão ainda irá permanecer por um bom período, enquanto também perdurar a incerteza aos olhos de outrem.
Porém, o tempo passou rápido e fogoso. Tive mais alguns encontros com minha garota e tudo depois continuou como antes. E cheguei a acreditar que outra noite como aquela jamais iria acontecer. Foi um sonho/realidade que se transformou posteriormente numa realidade/sonho. Ou vice-versa. Dali em diante nada de idéias quiméricas. Namorinho sem nenhum fato inovador e perturbador.

Então me parece que Alba não gostou do ato em si ou somente imaginou não ter gostado. E tudo virou um acaso, uma desconfiança, sob os olhares atônitos e certeiros de um falso moralismo existente. Minha namorada cismou diante de tanta questiúncula de uma maneira sutil ou indireta. Mesmo que tenha sido mera ilusão.

O marasmo, portanto, voltou e clareou, num instante se instalou. Com rima e tudo. Porém a suspeita ainda não evadiu e somente ficaram as lembranças e as sombras de uma (suposta) noite de sedução e prazer.


ESPAÇO LIVRE
George Sanders no filme 'A malvada'
DIVAGANDO... Em tempo de eleição...

-Vejam que primor de texto dito pelo personagem e crítico De Witt (vivido pelo ator George Sanders) no filme A malvada : "Nós temos em comum... desprezo pela humanidade, incapacidade de amar ou ser amados, ambição insaciável - e talento. Merecemos um ao outro".
Não calharia extraordinariamente bem se saísse da boca de um desses sujos políticos (e homens públicos) em confabulações com seu interlocutor? Ou, no caso, em especial, uma interlocutora?

- E também vem nos auxiliar a palavra sempre sensata de Antonio Vieira, que desde os idos do século XVII ficou famoso pelos lapidares depoimentos sobre o ser humano. Acerca dos ditos e indignos representantes do povo, eis o que dizia o abnegado padre: "Tempos houve em que os demônios falavam, e o mundo os ouvia; mas depois que ouviu os políticos ainda é pior mundo".

Sem comentários, sem comentários...


Bené Chaves

por benechaves às 20:53