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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, setembro 23, 2008








DESFECHO DE UM EFÊMERO AMOR


Estava crescendo e também, suponho, perdendo Alba. Seria realmente amor a palavra certa para externar nossos juvenis sentimentos? Na minha idade, acho que já com uns quinze anos, era difícil definir. Tudo não passava de uma empolgação. Creio que para ela fosse a mesma coisa. Não havia a tal da ligação definida. Talvez pudéssemos gostar um do outro sem o arroubo necessário para inventariar qualquer relacionamento mais forte.


Porém, mesmo assim, ih!, não poderia imaginar que a tivesse perdendo. E aquela paixão, ou, seja lá o que, estivesse se dilacerando aos poucos como uma formiga que vai arrastando suas quinquilharias e deixando um vácuo na fonte inicial.

Seria, quem sabe, algum desgaste pós-puberdade? Não sabia a intenção dela, mas intuía uma verdade próxima. Notei, portanto, que minha jovem amada começava a ficar diferente e indiferente. Sinal dos tempos ou apatia própria da idade, não tinha a mínima idéia. Somente Alba, claro, deveria e saberia falar o princípio certo sobre o inesperado enigma. Talvez um desejo de mudança no seu itinerário rotineiro e amoroso.


Mas, os acontecimentos são assim mesmo, ficam laboriosos e duvidosos, tudo inebria com o passar. A dureza é uma só. Menos dia mais dia sabia que iria acontecer. E o insofrido envolvimento teria que esvaziar. Seriam os fatos sucedidos da existência, aliás, do comecinho de uma vida, suas atribulações duradouras ou passageiras.

Alba fez parte de um pouco da minha puberdade, como sabia que a recíproca era também verdadeira. Meu corpo se juntou ao dela (que delicioso o momento daquela junção!), mesmo que tivesse sido apenas em sonho. E foi de uma gostosura sem precedentes, sabendo-se, lógico e paradoxalmente, não ter existido de verdade. Embora algumas imagens fictícias possam se transformar em exatidões perfeitamente realizáveis.


Na pior (ou melhor?) das hipóteses, minha primeira afeição. E também a primeira ilusão de um suposto amor proibido. O desagradável estava justamente aí. Entretanto, teria de tocar a vida para frente e suportá-la do jeito dela, nada se podia fazer contra suas adversidades e diversidades. Alba não sabia disso, vivia e viveu o seu momento, como também eu ignorava tais ocorrências. Era muito jovem ainda e tinha um imenso (igual a ela) caminho para percorrer, claro que iria gozá-lo. O sentimento ficaria de lado, juntando-se, portanto, com o pesar e a saudade que adviriam dali.

Talvez uma dor passável, imatura, ainda principiante, mas, sobretudo, uma mágoa quase irremediável de uma recordação afetuosa. E um suporte triste das relembranças de grandes amizades ou afeições perdidas. Enfim, a primeira porrada no início de uma era e sua palpitante extravagância compassiva. Apre!


ESPAÇO LIVRE

'Moça à Janela', de Salvador Dali
SOLIDÃO


E o tempo passou...
Não mais aquela moça
sorrindo na bonita janela
com os seios à mostra.
Não mais minha infância
de arroubos no período.
Não mais... Não mais...

Esse tempo findou...
A adolescência se foi e
a janela fechou-se sem razão.
A menina sublimou sua ausência.

Eu envelheci, você também...
E a donzela sumiu no rastro da
transição de uma vida.
Sua sensatez a sombrear-lhe
na desesperança de amores fugazes.

E eu à espera de um tempo que
corrói nossas inquietas solicitudes.

Bené Chaves

por benechaves às 20:04