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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, maio 13, 2008

(Imagem: retirada do 'Google')


ITINERÁRIO ALFABÉTICO (Final)



ZONZEIRA essa minha. Tinha o hábito de zanzar. Mas, voltei a interrogar entre paredes: a vida é uma loucura? Acho que Painhô acreditava que sim, embora Mainhô não ligasse pra essas coisas. Preferia ficar na sua cadeira de balanço a cerzir alguma roupa tirada do baú. E Tia Chica, o que falava? A preta velha envergonhada dizia que todas as pessoas são loucas, umas com mais intensidades e outras com menos. Mas, ela era assim mesmo, sempre exagerava quando ia dizer algo. Porque, de certa forma, toda regra teria sua exceção. Porém, logo se dirigia ao seu local de trabalho. Ou seja: a cozinha. Ali iria se entreter com suas iguarias inigualáveis. Os outros filhos, ainda pequenos, não alcançavam assunto tão pertinente.


Sabia, eu, entretanto, que a grande maioria sofria de distúrbios ocasionados, acho, pela hereditariedade. Os fatores externos seriam meras conseqüências. Acreditava que o gene caracterizava a índole do ser humano. (E pra não variar, ter-ser-iam-se aqui também exceções). Se você é uma vasilha de água hoje e amanhã é um tonel de vinho, lógico que tal mudança brusca de cor (ou comportamento) não era normal. Principalmente quando este vinho surgia com um sabor amargo ou azedo. Então, o caso passaria a ser tratado como um estímulo ancestral? Ou apenas uma manifestação agravada por um descontrole extrínseco? Tínhamos aí o endógeno em constante disputa com o exógeno.


Na verdade, indagações como essas deveriam ser alvo de profundos estudos. Mas, o meu pai acreditava (e ele tinha uma crença inabalável) que tudo tem sua raiz. E, como parte oculta, ela poderia abranger conseqüências inimagináveis. A vida tem lá seus monstrinhos, era evidente que sim. O seu ciclo é engraçado: desde tempos idos existem mutações, variações, atos e fatos. O ciclo-vicioso dos mundos e fundos.


Disse, então, Painhô: acompanhei seu nascimento, meu filho. Vi tudo direitinho, como nasceu e foi brotado, igualzinho uma flor. As plantas também têm suas séries de fenômenos, as raízes expelindo ramos, folhas e frutos. O que a natureza expulsa é algo surpreendente, existência rara. Como explicar a metamorfose da larva dos insetos lepidópteros em simples borboletas? Naturalmente porque seria o acasalamento de um labrego?


E continuou ele: o certo é que não existe muita diferença entre este dito rude e o irracional, pois a vida precípua dos homens, com seus modos, tornaram-nos atualmente mecanizados, frios, contrários à razão. E se houve alguma evolução dos males iniciais, esta se deu apenas no clarão tecnológico e conhecimento da ciência, adaptados que foram ao modus vivendi da época.


Abri a janela e fui tomar um pouco de ar, talvez um ar impuro. Divisei, do parapeito, pessoas tristes jogando-se num chão intervalado onde um longo rio de sangue afogava transeuntes que circulavam pelo local. Mas aí já é outra estória, pois adormeci e comecei a sonhar...


ESPAÇO LIVRE
(Imagem: 'Google')

POEMA DO EDUARDO GOSSON(RN)

CONCERTO, CONSERTO?



Na vitrola
Johann Sebastian Bach
executa
os Concertos de Brandeburgo nº. 3, 5 e 6

Porque é sábado,
e a tarde
veste-se de profunda melancolia,
os pássaros não ensaiam
vôos,
nem a misericórdia
cai sobre o avô
de terno cinza.

Ele tem que esperar
pelo domingo e,
quem sabe, pelo anum cego
que desistiu de auroras
e anuncia um sábado vazio.

por benechaves às 20:37