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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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domingo, agosto 12, 2007

A PRIMEIRA VEZ DE MAINHÔ
O texto abaixo foi publicado aqui nos primeiros meses de nascimento do blogue. O poema do 'espaço livre' também. Espero que os que não o viram tenham uma boa leitura, assim como uma boa releitura para os que já os conhecem.

Foi justamente com meu pai, claro, que Mainhô deitou pela primeira vez com um homem. E ela, com toda certeza, deixou de ser moça, pois iniciava uma trajetória de constituir uma grande família. Só que Painhô, hum!, já devia ter começado e iniciado seus arroubos sexuais há muito tempo. Certamente teria sido com uma daquelas sertanejas boas de raça e sedentas de calor. Apesar do tempo forte lá em Ferrões.
Ou então - quando rapazinho - se atreveu no traseiro de alguma jumenta, perto daqueles roçados e cercanias, o que era comum entre os vaqueiros da região. Já que as moças se faziam de supostamente difíceis, o jeito que tinha era procurar satisfação em caminhos não tanto agradáveis.
Quem contou as peripécias foi Painhô mesmo, na noite silenciosa e com leves ruídos na escuridão. Imagine!... até Tia Chica ficou escorada no balcão da janela. E, então, ele disse, todo ancho da vida:
"Era uma noite, parece, de lua cheia, as nuvens cobriam pouco a pouco um céu meio azulado. Dava uma aparência que ia chover, porque o quarto escureceu de repente. Levantei-me - depois de um bom sono - e fui à sacada da janela vislumbrar o acontecimento. Quando voltei, minha companheira ainda dormia agarrada ao travesseiro. Fui ao seu encontro e deitei juntinho dela para acordá-la. Ela remexeu-se com preguiça e puxou-me para seu lado. Ficamos ali quietinhos horas e mais horas, nossos rostos colados um ao outro".
Parou um instante com se quisesse tomar fôlego. E continuou meio envaidecido:
"Alegre e mostrando felicidade ao redor de si, sua mãe, meu filho - e me olhou piscando o olho de contentamento -, ergueu-se e levantou-se contente da vida. Estava radiante, sem acreditar, e foi tomar seu banho natural. Ninguém a detinha, talvez levasse com ela o fruto de uma existência".
Prosseguiu com sobriedade e distinção:
"O tempo voltou a piorar e a lua tinha sido encoberta. As nuvens tomavam conta de tudo e eu temia uma arbitrariedade daquela ocorrência quase inusitada. Daí resolvi encará-lo e deixar minha companheira na ventura acontecida. Olhei ao redor e vi uma vida mesclada, aquelas pessoas numa formalidade de afazeres, gesticulações de incertezas, gente andando e sendo fustigada, olhares atônitos e atônicos".
Parou um pouco, disse que ficou alguns momentos na chuva e depois voltou ao quarto, onde a parceira ainda dormia ao sabor de seu deslumbramento. E falou: "sim, meu filho, você foi gerado naquela ocasião, tenho quase certeza. É por isso que estou lhe contando o sucedido".
Não sabia ele que Tia Chica ficara escondida no parapeito e com certeza ouviu o relato desse pequeno e feliz episódio quando Mainhô sentiu as delícias do prazer pela primeira vez.
Levantou-se e se dirigiu ao aposento, pois sua mulher já dormia fazia algumas horas. Tivera uma bruta dor de cabeça que disse infernizar-lhe as têmporas.
Eu não falei que se chovesse ou não, tivesse lua cheia ou nova, fizesse sol ou noite estrelada, Painhô era um danado?!
E antes de entrar vi somente o vulto da preta velha correndo para não ser apanhada em flagrante.



ESPAÇO LIVRE



ambigüidade


entre tuas macias coxas

eu afogo minhas lágrimas

afago teu sexo

pensando no amanhã

no anoitecer e amanhecer

de nossas e novas vidas.



Bené Chaves


por benechaves às 20:19