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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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sábado, agosto 25, 2007

O texto abaixo foi publicado aqui em agosto de 2004. Ei-lo novamente para os que ainda não tiveram oportunidade de ler. Desejo uma boa leitura ou releitura.
DIVAGAÇÕES EM GUPIARA



É na idade remota que se tem melhor oportunidade para desfrutar uma vida que pareça inocente e pura. Porque enquanto a gente rola o mundo inteiro enrola. Os ensinamentos, assim como o crescimento, só atrapalham, pois muitas vezes aprendemos, crescemos e apreendemos errados.
A mutação do tempo, acho, inclusive, uma perversidade. A instabilidade espacial acarreta dissabores incontroláveis, discrepâncias indissolúveis e impalpáveis.
Então, tenho a ligeira impressão que cada pessoa tem algo incomum escondido nas membranas do encéfalo. A sua parte póstero-inferior combina inteiramente com a súpero-anterior. E daí vem o que se chama de 'inteligência', passando o indivíduo a verter, com maior ou menor intensidade, suas vicissitudes naturais. E a glândula responsável por tudo isso é a hipófise, que fica na base do cérebro. É o chamado cerne do corpo humano.
Devo dizer, em conseqüência, depois de todo este palavreado, que só estou aqui graças a um ímpeto amoroso de meus pais. Claro que sou o fruto daqueles gozos paroxísticos, conclusos e tempestuosos. Embora não tenha sabido qual a estação climática na hora precisa de tal acontecimento.
E estou falando de mim para mim, pois ainda me encontro no ventre de minha mãe e nem sei quando irei sair. Isso é mais do que evidente. Vou ainda esperar, esperar... Ou melhor, quem vai esperar, no caso, é ela.
Contudo, passado aquele período, Painhô lembrou o orvalho que caía numa noite dessas, as vidraças embaçando e as folhas, ante a agressividade da chuva, fazendo um barulho que metia medo na minha mãe e em Tia Chica.
E então ele contou que pensou na guerra e viu crianças e mães chorando e bombas atingindo cidades inteiras. O fogo destruindo tudo. As árvores, os ventos fortes e o rio próximo coberto de galhos. Pensou depois, não sei a razão, na briga entre a noite querendo permanecer e o dia procurando se insurgir.
Era, enfim, um duelo cósmico.
Mas, sem tardança, os trovões, relâmpagos e árvores silenciaram. Passarinhos voltaram a cantar na escuridão atrelados em fios e ramos secos. Contou ele que ouviu um eco e subitamente parou de chover, os pingos suspensos na atmosfera. D’água e constelação.
Naquela noite Painhô não pôde cantar, a lua não teve como aparecer e certamente ficou escondida da adversidade. Porém, quem deve ter gostado foi ele. Mandou a preta velha se recolher e agarrou minha mãe de mansinho. Penso que com meu pai não tinha tempo ruim e nem bom. Chovesse ou fizesse sol, surgisse ou não a lua. E logo depois da janta... capaz até de dar uma congestão.
Foi quase uma punição que a noite não estivesse estrelada, pois Painhô não cantou suas modinhas. Deixou distraidamente em cima da cômoda uma que fez sobre um fato que me disse ocasião anterior:

Não afrouxo nem no grito
Aquela mulher bonitoza
Sempre com seu requisito
E também muito gostosa.

Retirei somente a última estrofe, pois Painhô exaltara seu conteúdo um tanto libidinoso. Avalie se minha mãe descobre uma coisa dessas! Nem sei do que seria capaz... Ainda bem que ele me disse dias depois que era uma homenagem para Mainhô.


ESPAÇO LIVRE

A POESIA DE EDUARDO GOSSON (RN)


O amigo e poeta Eduardo Gosson, responsável pelo sarau 'Poéticas potiguares', em que homenageia mensalmente o autor norte-rio-grandense, manda-me algumas amostras de sua mais recente criação poética. Espero que todos tenham uma boa leitura.

E NADA MAIS
Domingo.
Da janela, o resto da Mata Atlântica.
A música de Omara Portuondo
A poesia de Joan Brossa.
UÍSQUE COM GUARANÁ
Bolero...Bolero...
A dama de vermelho
uísque
com
guaraná
AS CIDADES
A cidade perdida
mora dentro de nós
A cidade real, essa não existe.
DE SOMBRAS II
Meio-dia.
No cemitério, apenas um bem-te-vi
louva a Deus. --------------------------------------------------------------------------------------











por benechaves às 08:30