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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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sábado, julho 01, 2006

PALAVRAS QUE INQUIETAM (3)



Þ Falando um pouco sobre o pessimismo, nos vem à tona Arthur Schopenhauer, nascido em 1788. Era uma pessoa difícil de entender, e desde logo transformou a hostilidade que tinha à sua mãe num ódio eterno. Diante disso, dizia: "desde o primeiro alvorecer de meu pensamento, senti-me em desacordo com o mundo". E por aí foi ditando sua filosofia da solidão... "Os homens de valor intelectual, principalmente quando dotados de gênio, só podem ter poucos amigos". Nem tanto, nem tanto... Pois as regras têm suas exceções. Mas, quando um homem leva uma vida mental "e pelo simples fato de existir, trabalha para toda a humanidade; está isento, portanto, de quaisquer obrigações". Justificava, com isso, sua ociosidade física, pois tinha liberdade para se ocupar com exclusividade de sua mente. Acreditou que o próprio homem era apenas um sonho, isto é, "quanto mais o conheço, menos gosto dele", finalizava. Decerto que não gostava de sonhar. E parecia não levar a sério as mulheres, sempre as desprezava, talvez como desdobramento da raiva que alimentou da própria mãe.
Também o filósofo romancista William James, nascido em 1842, corroborando um pouco do pensamento anterior, disse: "nenhum homem é psicologicamente completo se não tiver, uma vez ao menos, na vida, meditado sobre sua auto-destruição". Quanto a isto, escrevia o cientista Ernst Haeckel: "O importante problema da auto-destruição(a própria palavra é absurda - devia chamar-se autoliberação), tem-me ocorrido com muita freqüência", pois, acima de tudo, "o enigma da vida continua indecifrado".

Þ E quanto às famigeradas leis, que estão aí somente nos moídos e roídos papéis? Saint-Just exprimia uma máxima lapidar: "a servidão consiste em depender de leis injustas; a liberdade, de leis racionais". Porém o genial escritor Franz Kafka (O Processo, entre tantos outros), descreve uma bela parábola para mostrar o absurdo de suas não execuções. Eis, portanto, em síntese, tal exposição:
"Diante da Lei há um guarda. Um camponês apresenta-se diante deste guarda, e solicita que lhe permita entrar na Lei. Mas, recebe a negativa, não poderá deixá-lo entrar. E diz: 'se tão grande é o teu desejo experimenta entrar, apesar de minha proibição. Porém lembra-te de que sou poderoso. E existem, além de mim, outros e outros guardas também poderosos'. A Lei deveria ser sempre acessível para todos, pensa ele. E resolve, então, esperar sua vez. Ali espera dias e anos. Maldiz sua má sorte em voz alta, mas, à medida que envelhece, apenas murmura para si. Já lhe resta pouco tempo de vida e à beira da morte, sussurra para o guarda: - Todos se esforçam por chegar à Lei".
Mas, o pobre homem morre e não consegue penetrar naquele confuso e sombrio labirinto. O guarda resolvera fechar definitivamente sua entrada. Não é uma narração alegórica de forte impacto, sabendo-se, de antemão, que muitas portas são lacradas quando tentamos adentrá-las honestamente?

ESPAÇO LIVRE


EPÍLOGO


Depois de cobrir-te
de belos poemas
rasgarei um por um
para achá-la perene
divina e formosa
em teu corpo solidário
e solitário.

E afogarei tuas mágoas
nas miúdas letras de um
livro em decomposição.

O romance de tua vida.

Bené Chaves

por benechaves às 10:19