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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, novembro 01, 2005

TRIGÉSIMOS SÉTIMOS ALUMBRAMENTOS



Tudo era, evidentemente, deduções de uma pós-adolescência, não seria eu o dono da verdade e nem também da genética. E, claro, nem ninguém. Com a inclusão aí de que tinha ainda muito que aprender e apreender. (Talvez, no máximo, indo aos poucos ditando as normas que poderiam me fixar como um sujeito além de uma época). Estava, portanto, no comecinho de uma fase adulta propriamente dita. Em conseqüência, se não surgisse algo que atrapalhasse a minha trajetória, teria um longo caminho a trilhar e repisar. Neste caso...

Enfrentei a faculdade e, além disso, tive minhas dedicações em vários setores, uma vez que também fazia parte de movimentos estudantis em ações paralelas e questões para o amadurecimento de uma causa nobre que seria o bem-estar de todos. Mas, devido o clima sorumbático e excluso do período, quase nada se podia fazer, visto que muita gente inocente foi presa e morta, acarretando daí uma precaução nos que ali ainda permaneciam. Inclusive um amigo nosso em atividade e que foi presidente de algumas entidades e participava sempre dos debates organizados. Pois bem! Este companheiro de lutas estudantis foi torturado e morto em uma prisão, a cada dia tiravam-lhe, com um alicate, um pedaço de seu corpo (sic). Teve uma morte horrível, apodrecendo no final. Só que depois estamparam nos jornais que ele teria sido baleado em um confronto policial noutra instância qualquer. E logo a seguir (ou, antes mesmo) outras vítimas desapareceriam em circunstâncias ambíguas. Era outro momento de medo, mentira, aproveitamento instantâneo.

Naquela fase de nossas vidas houve um certo desvio das atividades em geral e os jovens foram induzidos para causas alienantes, alguns começando e outros continuando, em pequenas escalas, no uso das drogas. Proposições feitas parece-me com intenção deliberada e advindas de logradouros distantes, motivando, desde então, a alegria da crescente traficância. E, a partir daí, dando um salto para a estratégia organizada com o consumo evoluindo e exalando em intensidade, evidenciando sua força nas áreas pré-estabelecidas. Para os donos da situação era menos difícil uma falta de coerência do que propriamente um atributo que pudesse estimular atos considerados danosos. Assim sendo poderiam manipulá-los ao seu bel-prazer. E tudo depois virou uma baderna e o vício foi barganhado, com a dinheirama correndo solta e se espalhando no mundo afora.

Foi mais ou menos neste ínterim, no intervalo de uma idade proveitosa e perigosa, pasmem!, que conheci aquela com quem iria me casar. Conheci-a por acaso, nas coincidências ou não de uma vida, no que poderíamos dizer que seria o nosso destino ou apenas circunstâncias de um encontro qualquer. Não sei, contudo, esclarecer se foi um fato, sei somente dizer que foi um ato. Um ato de coragem ao me decidir casar num momento delicado da existência, um tempo em que você fica na dúvida se seria o caminho ideal a ser traçado. Mas, o amor tem particularidades nunca atingíveis. A afeição vem crescendo como uma criança. E falando em termos casuais, um acontecimento bastante curioso aflorou nas minhas questiúnculas amorosas: a data do término de meus namoros (e principalmente a do último) coincidia com o aniversário das garotas subseqüentes, juntando-se aí um certo ou suposto poderio da jovem e futura pretendente. Seria uma ação eventual prevendo-se determinada energia e de influências misteriosas? Sei não, sei não... Mas, indiferente a tais regras imprevisíveis e talvez impossíveis de apanhar, me deixei levar por elas.

ESPAÇO LIVRE


EROTISMO



Em teu corpo pousarei
como um pássaro faminto
uma ave a aterrissar.
Despirei tuas vestes
beberei em tua pele
embevecido de aflição.
Sugarei desejos derramados
na ilusão de te possuir
desesperado como um órfão.

O silêncio a despertar astúcias
sussurrando faíscas de amor.

E no duelo inevitável
duas existências feridas.

Bené Chaves

por benechaves às 22:22