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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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quinta-feira, setembro 08, 2005

TRIGÉSIMOS PRIMEIROS ALUMBRAMENTOS


Enquanto vagava sobre as conseqüências ou não de um mundo mesquinho, sentia as faltas de Alba, Mirtô, meu primo, Gracita, Rosilda, Soninha e também da atriz Kim Novak, pela beleza despontada principalmente no filme Férias de Amor, que me fez passar horas e horas no escurinho do cinema a me deliciar com uma beleza cobiçável e rara. (Aliás, abro um parêntesis e a propósito conto um caso pitoresco: certa vez bebíamos no bar Glacial que pertenceu ao seu Oscar, um senhor já barrigudo e sempre alegre. Era um glacial bar. Por iniciativa nossa houve uma disputa de dois filmes célebres. Um deles trazia a bela e citada Kim Novak como protagonista principal. Era Um corpo que cai, filme do gorducho Alfred Hitchcock. O outro seria A marca da maldade, obra-prima do mestre Orson Welles. Portanto, uma parada dura entre duas belas fitas. E começamos a ditar nossas preferências. Mas, como a contenda parecia empatada, aquele amigo menos barulhento e também numa esperteza pouco provável, deu sua insólita e esdrúxula prioridade. Para não se comprometer diante da pequena platéia ou devido ao estado já alcoólico, acredito que sim, resolveu juntar o primeiro nome de uma das fitas com o segundo da outra questionada. Gritou, então, com uma voz já rouca: voto em Um corpo da maldade. E aí surgiu ele com esta inesperada opção a causar um riso generalizado entre todos nós. Depois pensei comigo que, mesmo sem intenção, ficou um bonito título. Embora fosse o resultado de uma bebedeira nas raias do irracional).

Sentia a falta também de todos aqueles que, de uma maneira ou outra, participaram ou ainda participam de minha vida. Claro que não poderei declinar nome por nome, me perdoem, portanto, mas fica o registro. As brigas ou não com meus pais, os colegas de turma, opiniões desiguais no colégio, a religiosidade mística e atuante, os padres mais rudes, disputas no futebol (e aqui lembro daquele memorável gol), vitórias, derrotas, meus irmãos pequenos, os parentes achegados, a imaturidade, a adolescência, a idade intermediária e as meninas-moças quase sempre freqüentes a nos deliciar e fantasiar. Enfim, todo um conjunto de acontecências e ingerências. Se possível também, de indulgências. Sabia que o transcurso de tal complexo trazia os talvez explicáveis desencontros. E as outroras grandes amizades se perderiam, lógico, ante seus arrebatamentos. Seria um momento que somente poderia ser resgatável, acredito, através de sonhos. Era mais outra ilusão. A ilusão de não podermos viver eternamente com um círculo de pessoas queridas a nos presentear um amor infinito e definitivo.

Findo praticamente este período da juvenilidade e rumando para a virilidade de uma fase adulta, aqui estou são e salvo. E justapondo-me aos ideais preconizados na época anterior, em que colhi uma avaliação precoce do sucedido. Claro que obtive a educação que mereci, cheguei a fazer diabruras próprias da idade, gozei minha puberdade, no sentido da palavra e também enquanto limitado prazer sexual. E se proporcionei inquietudes a outras pessoas foi apenas como um sentimento de sensibilidade, um elo de aproximação e solução de uma vida.Tinha e tenho ainda noção das discrepâncias entre seres desvaliosos e afortunados, dando vazão maior para um esclarecimento futuro. Também na exatidão e em conseqüência de minhas palavras, as dúvidas da incredulidade e credibilidade do ser (dito) humano.


ESPAÇO LIVRE

De demagogia...

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E a demagogia dos políticos tem seu clímax no excelente filme de John Ford "O homem que matou o facínora". Na significativa cena em que um homem público pretende iniciar seu discurso, ele abre uma folha na frente de todos e depois a amarrota e joga-a no chão. Um senhor atento apanha o papel e vê que o mesmo está em branco. E o velho político iniciará o malfadado discurso de improviso, ignorando a presença do perspicaz observador.
Quantos de nós não ficamos na inocência em atitudes feitas às ocultas, hein?

Já o filósofo Jean-Jacques Rousseau, nas suas experiências na república calvinista de Genebra, chegou a uma fundamental conclusão de que"quando um povo é 'representado' por deputados, ele se torna alienado de sua própria unidade coletiva e desse modo deixa de ser um povo".
Olhaí congressistas do mundo inteiro! O que dizer de tão gloriosa afirmação? O célebre homem sabia das coisas. O povo que se cuide, o povo que se cuide...

Bené Chaves

por benechaves às 11:16