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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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segunda-feira, julho 04, 2005

VIGÉSIMOS OITAVOS ALUMBRAMENTOS


Mas, bons anos mesmo foram aqueles de Alba, Mirtô, meu primo e também da querida Gracita. E por que não dizer da gostosa Rosilda? Passados e repassados seus esplendores. E como o tempo faz esquecer tudo, ficaram somente as sombras de uma ilusão. Lembro, claro, do primeiro contato que tive com o sexo feminino, eu ali, com apenas quatorze anos, um garoto que ainda usava calças curtas e brincava na rua e cercanias de Gupiara. Se a memória não me falha acho que foi com Alba, quando já contei aqui ela entrando no quarto e então a vi nua numa primeira ocasião. Foi um deslumbramento que jamais esquecerei, aquela convivência carnal e inexperiente na juventude que surgia com toda impetuosidade. Uma sensação de maravilhamento quase indescritível... A minha afoiteza e apalpar de mãos, rostos e outras partes proibitivas do corpo. Você tem a impressão de que tudo vai desmoronar, tal sua avidez desenfreada e sofrida, o suor frio escorrendo-lhe no rosto amarelo e uma taquicardia a denunciar um tremelique tortuoso e irrequieto no seu corpo.

Estamos aí no chamado início do desejo e ao mesmo tempo entorpecimento, enfim uma vontade louca de transgredir. Um abespinhamento e comichão intrinsicamente voltados para as partes mais sensíveis, posto que, então, dar-se-á aquela batida mais forte no coração. E quando você retorna de uma aventura dessa sente novo impulso de descarregar mais energia dentro do ralo do banheiro, agora totalmente aliviado e com o pensamento ainda para seu primeiro contato, ou seja, aqui, no caso, a minha parceira de relacionamento. São sinais insondáveis de uma idade pubescente, irrompidos e orvalhados no âmago de um ser, que desabrocha e separa-se para a posteridade. Então, surgem, depois, a fase da adolescência e a adulta, quando talvez se dará, conforme o caso, uma promissora e independente sabedoria para tal fim. Ou de uma educação e raiz familiar razoáveis. É o início e indício de uma vivência ou sobrevivência. Subverter a subvivência?

Porém, depois de tudo acontecido ou a acontecer, cortando e voltando a contar uma de minhas fases de devaneio e já discorrida anteriormente, quando uma das paixões bateu forte e deliciosa (lembram-se?), tive um sonho ousado, perturbável. Uma noite de amor com Gracita (a que foi alvo de gracejos e emaranhados mexericos), não me lembro bem se antes ou depois do término de nosso namoro. E que previra que a mesma seria uma futura mocetona, cantada antes em prosa e verso. Pena que tudo não passou de uma fantasia, mas uma gostosa fantasia. De qualquer maneira, uma outra ilusão na minha vida. Detalho, portanto, a citada ocorrência, transcrita com isenção:

Fui para o quarto e deitei-me, lógico, para dormir. Porém, como acontecia quase diariamente comigo e também, acredito, com boa parcela dos que iam para a cama, fiquei de olhos fechados e pondo em ordem situações que depois apareciam na minha mente. Contudo, as imagens seguidas e vistas talvez deixassem dúvidas. E eu observava daí estranhos comportamentos e desfigurações que me levavam a um quase delírio, sobrecarregado de esplêndidos efeitos sonoros. Se tal sonho tivesse acontecido recentemente diria que me pareceu ouvir, embora bem longe, a harmonia de Nino Rota no magnífico final de Oito e Meio, de Federico Fellini, misturada com a musicalidade de Henri Mancini no também magnífico início do filme A Marca da Maldade, de Orson Welles.

Não sei se era imaginação ou pesadelo, mas continuei a sonhar...

ESPAÇO LIVRE

DUBIEDADE


Tua jovem
loirena
aparecença
inibe minha feliz
adulta presença.

E como triste
conseqüência
vejo-a ainda
afastar-se
amavelmente.

Será agridoce
o fim?


Bené Chaves

por benechaves às 22:02