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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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quinta-feira, julho 14, 2005

VIGÉSIMOS NONOS ALUMBRAMENTOS

Então, naquele sonho, surgiam misturas de vários objetos, tipo algo sem caracteres e muito sombrio, um repenicar de passos e repassos tilintando meus ouvidos. E tudo em seguida despontava e apontava em monumentos certamente alterados. Via aparecer depois alguns símbolos desconexos, num verdadeiro ziguezague de insinuações dentro de minha cabeça. Enfim, tudo aquilo se desenvolvia como se fosse uma grande tela expondo uma pintura inusitada e além de nossos limites. Um quadro pictórico de feições abstratas e indefinidas, a obra imprevisível. Talvez já estivesse dormindo, não sei ao certo, contudo deixei-me levar ao desejado objetivo.

E, não mais que de imediato, surgiu uma linda visão naquele momento. Em segundos afigurou-se que o quadro iria desmoronar diante da moldura exposta, como se alguém tivesse chegado impetuosamente e concluído uma revolução no cubículo, ilustrando no quadrilátero uma paisagem e permanência até então inexistentes. Era ela, tinha certeza que a minha outrora Gracita estava ali presente, visto a transformação radical imposta na estrutura do dormitório. Abri, então, os olhos e avistei-a debruçada, melindrosa, tentando qualquer sinal de sua presença junto à cama. Mas a imagem era de uma moça já feita, um formato de mulherona. Claro, seria a Gracita que previra antes, a Gracita-mulher, Gracita-voluptuosidade, Gracita-futuro. A menininha de seus treze ou quatorze aninhos transformara-se em uma sensual e bela mulher. Estava esboçando algo para que eu a seduzisse e começou a tirar peça por peça de sua transparente camisola. Lógico, fiquei sem ação diante de tanta beleza. Fui ao seu encontro, arrastei-a quase selvagemente para cima de minha cama.

No sonho, tudo se tornou realidade, minha fantasia tinha transposto anos além e pude concretizá-la. Na realidade, tudo se tornou sonho, minha magia não saiu do lugar e, portanto, nada foi materializado. Seria inútil a descrição do amor que tivera àquela noite, pois poderia talvez me tornar repetitivo e não descrevê-lo na sua intensidade. Além do mais, tratava-se do ilusório, fictício, algo pra lá do realizável. E que de gostinho mesmo somente as filigranas do despertar, um amanhecer com sabor de azedume, pois vi-me sozinho agarrado ao travesseiro e com o pijama molhado de um cheiro que não soube farejar. Apenas gritei: puta-que-pariu!... E novamente enfiei a cabeça no lençol procurando recuperar o desejo perdido.

Acordei horas depois, levantei-me, pus os chinelos e fui ao banheiro com uma mancha meio amarelada entre as pernas. Lavei-me com impaciência, fazia o usual, concedido e cometido por todos. Tinha sido uma noite e tanto, embora me encontrasse frustrado pelo que acontecera ou não. Mas, de resto, ficou a bela imagem de Gracita indo ao meu encontro, uma imagem sonhada e com certeza sempre lembrada. Seria a marca de outra ilusão, talvez esta com um sofrido sentimento: o de que nada daquilo teria acontecido de verdade, uma verdade mesclada de resquícios e feitios ilusórios. E com uma enorme exaustão!

ESPAÇO LIVRE


AMANHECER


Naquela noite fria
de tênue chuva
ruas desaparecem
estrelas se recolhem
teu rosto pálido anoitece.

Na madrugada gélida
aves esvoaçam dançando
ao som do forte vento
transeuntes dormem à esmo
um futuro ambíguo aparece.

Ah!, naquela noite...
de intensas paisagens
desesperado fugi do mundo.

Bené Chaves

por benechaves às 16:55