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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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sábado, maio 07, 2005

DÉCIMOS SÉTIMOS ALUMBRAMENTOS


Soube, desde cedo, que versos (preferencialmente de boa qualidade) são para serem cantados em qualquer tempo ou numa ocasião que se fizesse necessária. E naquela etapa da vida, embora tais poemas feitos por nós não tivessem um artesanato poético à altura, a gente sentia o corpo ferver de emoção e impaciência. Só em saber que as garotas leriam os textos os rapazes ficavam loucos de ansiedade. Então, embora ainda tímido, no andamento do namoro, fui lá na casa de Gracita e entreguei a missiva, antes dizendo que ela somente abrisse quando estivesse sozinha. Fiquei nervoso diante do que sairia da mente juvenil da menina, apesar de saber que também era imaturo o suficiente para ter uma visão aprofundada do problema. Enfim, a solução seria esperar. E saí feliz da vida, de volta para casa, porquanto tinha me realizado com aquela oportunidade aparentemente não obstada.

No entanto , supus que ela pudesse não ter gostado dos versos, não pelo seu atributo literário, inclusive porque a mesma não era nenhuma estudiosa naquelas artes, mas originalmente pelo conteúdo erótico do texto. Realmente não fui cauteloso, porém tenho a ligeira impressão de tê-lo feito de propósito. E fiquei num impasse doloroso, parece que não dormi à noite. Era outra noite que não dormira, já que na anterior queimara as pestanas na confecção do atrevido e não sei se oportuno poema. Sabia (que precocidade!) o quanto seria difícil descrever e cantar a mente de uma mulher. No caso aqui, em particular, de uma donzela.

Mas, tudo teria de ser assim, com coragem e determinação, sem medo e procurando o que fosse melhor para mim e também para ela. Sei que tinha apenas elaborado umas palavras carinhosas (e fantasiosas, no arrebatamento da idade...) com o intuito, lógico, de agradar minha namorada. Acho que todos os meninos da época e que tivessem uma sensibilidade em gestação fariam o mesmo. Nada tinha como certeza. Tudo era ainda obscuro. As alegrias (e farturas) ou as tristezas (e carências) viriam com o tempo. Já que não estava cometendo nenhum crime, iria enfrentar Gracita, enfrentá-la-ia com as armas de que dispunha: os versos. Lindos ou feios, bons ou ruins, porém seriam os daquela ocasião.

Pude avaliar depois, através de comentários injuriosos (não sei a razão, mas geralmente as apreciações são sempre para atingir alguém ou fazer o mal, no caso direi, então, as depreciações), que minha namorada ficara apreensiva e sentindo-se burlada com o meu bilhete. E a malícia surgiu tentando deteriorar a minha imagem. Ela achou, diziam, que eu estava dando-lhe uma cantada, querendo seduzi-la por meio de palavras e maneiras estudadas. Ou tudo não passaria de intrigas? Sei não o que pensei, fiquei somente esperando o desfecho para emitir uma opinião.

(Estão vendo como não se faz uma paz? De um troço simples, bonito e talvez não fugaz, quase ninguém se satisfaz. E de uma besteirinha à toa tudo fica seco, mirradão. Aí você fica caladão, no oitão, embora com razão. Dou-lhe, portanto, um puxão, vá atrás do seu quinhão. Surge, então, um rifão. E você cai na contramão e sai mancando depois como um bufão. Sim. Não?).

Elaborei tal parêntesis para tentar suportar, através de rimas, as inquietudes surgidas. E daí superar as adversidades acontecidas não sei de onde. Desassossegos existem em toda parte, resta a nós outros sermos fortes e mostrarmos o lado bom de uma vida em comum.

ESPAÇO LIVRE

VAZIO


Na tua ausência
sinto-me solitário
mas solidário.
E diante de bela foto
dispo-me por inteiro.
Vendo-te na parede
branca e crua
carrego-a nua entre
corredores iluminados
de um tempo de emoções.

E na cama sozinho
suplico tua necessidade.

Bené Chaves

por benechaves às 18:59