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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
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castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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quarta-feira, abril 13, 2005

No dia 22 de março de 1995, portanto há dez anos passados, o jornal Tribuna do Norte publicava este meu comentário sobre Rebecca, a mulher inesquecível, filme de Alfred Hitchcock. Compartilho com vocês, hoje, tal divulgação.



REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL



Dizem que Alfred Hitchcock é, possivelmente, o mais conhecido dos cineastas. E que com certeza resume um gênero cinematográfico: o suspense.
Depois de rejeitar várias ofertas de Hollywood, o gorducho realizador das obras-primas Um Corpo que Cai / Vertigo (1958) e Janela Indiscreta (1954) aceitou a proposta de David Selznick, importante e poderoso produtor, para fazer Rebecca, a mulher inesquecível, resultando num grande sucesso de bilheteria e consagrado com o Oscar de melhor filme em 1940. (Aqui a premiação num raro momento de lucidez da afamada estatueta americana).
Portanto, a fita em questão, é o primeiro trabalho americano de Hitchcock, extraído que foi da novela de Daphné Du Maurier, que posteriormente o mesmo cineasta viria a realizar Os Pássaros(1963) e cuja idéia básica seria também inspirada num conto da própria Du Maurier.
Em Rebecca, a mulher inesquecível, o chamado mestre do suspense especula e joga com o medo, a paranóia e outros assuntos inerentes ao seu estilo. É a história de uma jovem e bonita mulher (Joan Fontaine, mais bela do que nunca) que se apaixona e casa com um viúvo inglês (Laurence Olivier) muito rico e vai viver com ele na mansão que outrora pertencia e era ocupada pela primeira esposa.
Contudo, a nova mulher do aristocrata é perturbada com fatos relacionados à falecida, vindo daí situações de tensão em um clima peculiar e próprio ao gosto de Hitchcok. Inclusive ressalte-se a atmosfera nitidamente expressionista em todo o desenrolar do drama e da trama.
Tudo começa com a narração de um sonho, a do retorno à fabulosa mansão dos Manderleys, onde se nota, desde já, uma força sobrenatural e intimista que irá situar toda a fita, daí passando para a realidade, onde o personagem central, junto a um penhasco, tenta algo contra si. E então começa a intriga propriamente dita, envolvendo o inglês rico e a mulher pobre e humilde. Num simples acaso, portanto, eles se juntam e se apaixonam.
Mas, aquela jovem de aparência frágil poderia substituir a tão querida Rebecca? O clima de suspense é alojado na mansão e Hitchcock começa a instalar o seu ambiente de tensão e angústia. Iniciam-se as lembranças caracterizadas nas expressões dos criados e, sobretudo, na sinistra governanta. Tudo girava em torno da primeira esposa, como lençóis e lenços gravados e os mínimos detalhes possíveis. A própria governanta fazia questão de mostrar o domínio que a antiga patroa exercia, quando exibia com orgulho o rico guarda-roupa da mesma.
E quando em dado momento a jovem casada resolve se impor e consegue do companheiro um desejo da falecida, presenciamos, então, um baile de fantasias. Mas, quando ela se veste e fica parecida com Rebecca, todos desaprovam, inclusive o marido. E, aí, a frustração cai como um peso sobre a candura de nossa heroína, entrando em antagonismo com a força da lembrança da outrora e dominadora mulher. Sempre no apurado domínio da narrativa que o velho gorducho conduzia suas histórias.
Mas, o enredo nos revela uma surpresa. Sobe à tona, além do barco, outro fator que desencadeará novas situações. É sabido que o aristocrata não morria assim de amores pela primeira mulher. Pelo contrário, não viviam nada felizes. A verdade finalmente surge e o certo é que a trama pode ser avaliada também como uma simulação. Afinal, mais um ponto na carreira de Hitchcock, que soube desenvolver com mestria o livro da famosa escritora. E cujo filme ainda não envelheceu, apesar de mais de sessenta anos de existência.


ESPAÇO LIVRE


SOFREGUIDÃO


No silêncio eu escuto
o conluio de teu amor
o sibilar dos passarinhos
teu ardor cego e infinito.

Observo uma cantiga
no sossego extasiado
o ronronar nos ouvidos
tua inquietude rosnar.

E entre nós dois amando
eu posso estrangular
os soluços do porvir.

Bené Chaves

por benechaves às 14:48