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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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quarta-feira, março 23, 2005

DÉCIMOS SEGUNDOS ALUMBRAMENTOS


Gupiara, infelizmente, começava a manter um sistema oligárquico que se afigurava desprezível. Como todo sistema de classe ou família. E, então, aquelas ditas pessoas pronta e hipocritamente mudavam os hipotéticos hábitos anteriores e passavam a arrotar seus escondidos e soberbos interesses. Inclusive detinham todas as crescentes cidades por um tempo considerável, acarretando dissabores de uma minoria inteligente e sabores de uma pequena parte interessada. Aliás, bastante empenhada em vantagens. De geração em geração. E eu, que lutei sempre para vê-la distante desses arreliosos arremedos... Apre!

Mas, voltando ao que interessa, o certo é que fui comer a tal galinha caipira e fiz as pazes com Alba. Ou melhor: ela quem fez comigo. E ficou cheia de felicidade. Meu primo teve outro programa com sua namorada, parece-me que iam ao cinema, ela adorava um filme de amor. E aproveitando a ocasião e falando nele, acredito que foi além do permitido. Isto é, nem eu mesmo sabia o que era permitido ou não. Para a nossa fase da existência a liberdade tomava conta dos possíveis impulsos. Embora soubesse das possibilidades remotas da época. Conhecendo, contudo, as habilidades dele, ficava difícil supor o contrário. Que confessasse depois seus erros. Ou acertos? Tudo era euforia no entendimento de uma desprendida e voraz rapaziada.

Assim sendo, as intempéries ou maus presságios, depois do paladar que degustei junto à minha namorada, retornavam à normalidade. Não sei, porém penso que Alba tava gostando mesmo de mim, pois lhe dei um beijinho e ela esboçou apenas um leve sorriso. Podia não entender, na época, de mulheres, como também nunca entendi, mas acho que acertei em cheio quando disse que ela iria me procurar. Sem convencimento algum de minha parte, lógico. Devia certamente, com grandes ressalvas, já estar aprendendo, ih!, naquele início ou fase intermediária da vida. E me exultava diante da suposta proeza. Claro que ela deve ter gostado do agarramento de um mês e meio atrás, ora se não!... Ah!, as mulheres...

Voltei para casa e me dispersei na cama, dormi como uma criança agarrada ao colo da mãe. Também estava feliz do reencontro surgido. O vento forte batia na janela e corria uma brisa ao redor do quarto, as venezianas deixando o sopro passar sem contestações. Lá fora passarinhos sibilavam entoações em séries intermináveis. Apenas escutava um longínquo zumbido e não sabia se era sonho ou realidade. Sei, dizer, contudo, que vi uma bela imagem. E acho que adormeci de vez sem decifrar o que poderia ter acontecido. Daquele momento em diante não vislumbrei nada, nem mesmo sombras de uma suposta e inquietante ilusão sedutora.

ESPAÇO LIVRE

C A O S

O mundo passa
transpassa
repassa
traspassa
carrega consigo
incongruências
inconseqüências
maledicências.

O universo a pairar
no verso perplexo
do plexo complexo
da vida.

Em anexo.

Bené Chaves

por benechaves às 16:24