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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, março 15, 2005

DÉCIMOS ALUMBRAMENTOS


Depois da impetuosa cena do beijo, Mirtô solidarizou-se com Alba na sua resposta à violência de sentimentos. Que, convenhamos, não foi tão drástica assim. Ficamos, claro, sozinhos. À vista disso, a outra saiu no encalço da amiga na rampa íngreme que daria acesso a pegar um ônibus ou coisa parecida. E minha namorada quedou-se um tempo sem querer me ver e pudicamente passou alguns dias sem sair de casa. Pois é... Também, quem mandou você ser tão afoito? Mas, foi só um beijinho inofensivo, não me controlei. Eu sei, acontece... Homem é bicho danado, tudo igual, segundo elas. Apenas quer se aproveitar das pobrezinhas. E ela deu uma unha e você quis logo o pé, não? Bem, ela não deu foi nada. Tá vendo, capaz agora de ficar sem namorada, foi com enxerimento...Hum!, parece que não conhece as mulheres. E você as conhece, nessa idade? Não fique aí metido a sabido. Ela é ainda novinha, sem manha ou artimanha. Vai ver, depois ela desdiz tudo, quer apostar?

Ficamos num bate-boca quase sem fim naquele cair da tarde, o sol querendo já se esconder e meu primo não disse nada acerca de sua namorada, se fez ou aconteceu, portanto não podia cobrar miudezas ou safadezas. E conhecendo suas arteirices (parecia um sinal genético, creio) ficava com a pulga atrás da orelha. Porque, inclusive, Mirtô tinha uns dezoito anos e devia saber já dos sucedidos, ora mais tá! Ela que se cuidasse, pois ele talvez não fosse essa flor que se pudesse cheirar. Embora, evidente, devessem dar beijos às escondidas.

Sabia das birras de minha geração que não podia ver um rabo de saia. Aliás, prática já bastante manjada entre aqueles meninos sequiosos e em busca de uma força que os empurrasse para corpos opostos, ou seja, obviamente do sexo feminino. Também meu primo se enquadrava com perfeição nestas conquistas amorosas. E eu, da mesma forma, não ficava livre das mocinhas de então.

Portanto, no simples tocar de mão ou numa aproximação em que se apalpasse de raspão uma donzela (ou mulher experiente), nosso pênis ficava eriçado e desambientado, talvez à cata de uma proteção melhor. Seria o chamado tesão, que atualmente se fala com espontaneidade, aquele furor adolescente e ansioso no intuito de atiçar os desejos no encontro de uma gostosa garota. E doido mesmo, no sentido de impulsivo, arrebatado, para tacar um abraço e beijo no seu objetivo, e, se possível, em outras partes cobiçadas da companheira em questão.

Era comum observar tudo isso, mormente quando se tinha de quinze pra dezoito ou dezenove anos, época intermediária de uma intensa mudança corporal. Ou também na própria pós-adolescência, quando manifestávamos mais conhecimento do sexo em si. Tempo bom aquele, de palpáveis estripulias e arritmias. Ruim seria a sua não retornança.

ESPAÇO LIVRE


Compartilhamos com vocês de um poema do Antoniel Campos (
http://antonielcampos.blog.uol.com.br ), que faz parte do livro A Esfera, lançamento acontecido aqui no dia 11 próximo passado:

Solilóquio


Na ausência de tudo, eu completo.
Amo a falta, a solidão, o nada ter.
O meu lema predileto?
Nada haver.

Na ausência de parte, eu metade.
Amo a dúvida que sucede o meu por que
Noutra parte sou verdade?
Nada a ver.

Na ausência de nada, eu distante.
Amo a face que me deixa parecer.
Do espelho o meu semblante
nada vê.

por benechaves às 11:20