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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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quarta-feira, fevereiro 23, 2005

SÉTIMOS ALUMBRAMENTOS



Gupiara, aos poucos, ia perdendo todo seu encanto e entusiasmo, nunca mais voltaria a ser como era, agora parcialmente entregue a autoridades insensíveis e corruptas (aliás, uma característica inerente a alguns mandatários), que estavam fazendo dela uma amostragem de metrópole. Seleção feita, infeliz das mentes, através de atos demagógicos e perdulários, em detrimento da própria cidade e sua população. Quem duvidar do questionamento favor verificar in loco, na periferia da mesma. Ali na certa encontrarão verdadeiras aberrações de uma (sub) vivência semelhante, imunda e carente em todos os sentidos. O exato termo já diz da precariedade aviltada.

E o pior é que se tinha de suportar seus desatinos e desconcertantes jorros de imundícies, os chamados grandes danos contra aquela urbe em crescimento. Era uma situação de mal-estar que não se deveria, grosso modo, culpar ninguém, visto que as partes se imbuíam de argumentos ilibados, malgrado as tentativas contrárias. Apesar de tudo, tudo foi um pesar. E as situações ou valores seriam feitos ao gosto de um contragosto.

Painhô continuava na sua rotina normal e fizera sociedade com um irmão que resolvera se instalar em Gupiara. As famílias, então, aparentemente, se uniam. Fiz logo amizade com um primo mais ou menos na mesma faixa etária que a minha. (Eita tempo bom!, época promissora que se podia ter liberdade no ir e vir, na ebulição e transitoriedades próprias e necessárias daquele estágio da existência. Retrilhar passos, repassos e antepassos). Foi daí que saíamos à cata de namoradas. Acho que devo ter conhecido Alba neste período, já que meu primo era mais extrovertido e conhecia algumas garotas de ocasião. Talvez tenha sido por aí...

Contudo, o mais estranho era a hora que saíamos para namorar. Enquanto nossos pais dormiam a sesta de depois do almoço, sumíamos no carro de meu tio e lá íamos nós com meu primo ancho a dirigir o automóvel fazendo pose de galã e tudo. Era o tempinho (que eles tivessem um bom sono!) que sobrava para flertar tais meninas, ávidas, também, lógico que sim, daquele encontro furtivo. O horário não tinha nada de saudável, pois doze e meia do dia o sol estava bem presente a esquentar nossas temperaturas já aquecidas. E sabíamos que a hora acabaria dentro de sessenta minutos, ocasião em que teríamos de voltar para não sermos apanhados em flagrante delito. Portanto, mãos a obra... Elas que nos esperassem naquele tempo quente, pois creio que o calor fazia ainda mais despertar nossas libidos na instantaneidade iniciada.

ESPAÇO LIVRE


QUATRO DÉCADAS


Vejo-a após quarenta anos
rosto engelhado, enodoado.
A menina-moça de outrora?
Pesadelo na usada visão
apenas o olhar de memória.

Comparo-a na velha foto
alegre do áureo passado.
Da púbere presença?
Invasão de meu débil ser
sentida e juvenil ausência.

Quero-a então para mim
lembrando o resíduo de
uma saudade sem fim.


Bené Chaves

por benechaves às 19:18