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Bené Chaves <>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.
Livros Publicados:
a explovisão (contos, 1979)
castelos de areiamar (contos, 1984)
o que aconteceu em gupiara (romance, 1986)
o menino de sangue azul (novela, 1997)
a mágica ilusão (romance, 2001)
cinzas ao amanhecer (poesia, 2003)
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terça-feira, agosto 24, 2004

O PROGRESSO CHEGANDO



                Minha mãe tinha dezesseis anos quando foi morar em Gupiara. Poder-se-ia bem dizer naquela época que a província era uma urbe pacata. Mas, a cada dia ia crescendo aos olhos vistos e teimava em não ter mais a aparência de um simples município. Parecia, para tristeza minha, que o progresso começava lentamente a estampar-lhe na face. E contrariando também o enorme cartaz posto na sua entrada. Infelizmente, como todos nós, ela também crescia.
                Então, o ar límpido desapareceu aos poucos para dar lugar aos estímulos de cidade intermediária. Será que as autoridades já teriam mandado rasgar o anúncio na entrada do lugarejo? Tudo isso para mim era uma lástima: pequenas indústrias com nomes estrangeiros, a fumaça que iniciava e enfeava poluindo o antigo ar puro.
                Porém, minha mãe agitou sua vida. De tardinha, ao cair da noite, saía a passear com amigas nos recantos não tanto pitorescos da então província. Foi ali, naquela aparente inocência, que viria a conhecer meu pai. As casualidades e ocasionalidades existenciais fizeram de seu trajeto,quase diário, uma destinação para sua vida. E olhe no que deu...
                Painhô quando avistou aquela moça caiu logo de amores, paixões arrebatadoras, desejos insaciáveis. Acho que foi amor à primeira vista. Ou à segunda, sei não. Ela ali, virgenzinha, virgenzinha, no ponto de cocada.
                Contou-me, com enxerimento, que nunca tinha afrouxado diante de uma donzela, mas referindo-se a outra palavra que talvez não seja bom dizer aqui.
                Se era uso habitual, achei estranho pro período dele. Mas, meu pai sempre foi assim, às vezes aquilo tudo podia ser uma mera brincadeira. Ele sempre respeitou as mulheres e nunca as tratou com desdém.
                Na certa que tava querendo inventar alguma modinha. E eu também já não era assim tão pequenininho que não pudesse saber dos fatos.
                Fiquei meio encabulado com aquelas conversas e, de qualquer maneira, pensei comigo: "também quando tiver maior vou fazer o mesmo, ou seja, nunca afrouxar diante de uma mulher". E atualmente sei que a máxima 'tal pai tal filho' parece prevalecer. Segui à risca o que me falou, fossem ensinamentos ou não.
                Diziam em Gupiara que o sol era o homem porque ele é rijo, forte. E a lua seria a mulher, ou seja, meiga, suave e doce. Mas, sei também que as regras tinham suas exceções tanto de um lado como do outro.
                O sol e a lua nunca se encontram.E os sexos opostos? Talvez justamente por se encontrarem existam tantos entreveros amorosos entre eles. E a metáfora assim se realizaria.
                Contavam também que no período de lua cheia o homem parecia e aparecia mais afoito em suas conquistas amorosas. E acho que Painhô não fugiu à regra. Basta saber de suas proezas com o instrumento musical. Ou melhor, após suas cantorias. Minha mãe que o diga, quando ele saía de fininho agarrado à sua cintura...

Bené Chaves




ESPAÇO LIVRE

(poema de Mariza Lourenço)



                                                
COMPENSATIO

Lá:

Um sinal abre, a palavra avança
Descompromissada e livre
Homens e mulheres trepam
Um mundo inteiro geme
Escandalosamente aflito
Assombrosamente vivo.

Aqui:

Tudo continua belo
Feito um antigo réquiem
Criminoso e lento
Tudo continua
Presumivelmente certo
Dentro desta expectativa morna
De pasta e sexo aos domingos.


por benechaves às 08:06